Camis Contabilidade

“O que fica quando a IA faz tudo?”: palestra do III Congresso FENACON discute o papel humano na era da automação

A quarta palestra do III Congresso FENACON, realizado nesta quinta-feira (6/8) no Sescon-SP, em São Paulo, trouxe ao público uma reflexão sobre os limites da automação no exercício da profissão contábil. Com o tema “O que fica quando a IA faz tudo?”, o palestrante Adriano Ferreira, em apresentação com oferecimento da SIEG, provocou a plateia logo na abertura: “O que você pretende entregar ao cliente quando a IA fizer boa parte do seu trabalho?”

A partir desse questionamento, Ferreira desenvolveu uma análise sobre o papel estratégico do profissional contábil diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial, defendendo que a tecnologia resolve o operacional, mas não substitui elementos essencialmente humanos da relação entre contador e cliente.

Os três pilares da retenção de clientes

Segundo o palestrante, marca, confiança e relacionamento formam a base para conquistar e manter clientes ao longo dos anos e cada um desses elementos cumpre uma função específica. A marca, construída por meio de posicionamento, autoridade e diferenciais reais, é responsável por atrair o cliente. A confiança, sustentada pela presença constante do profissional, é o que garante a boa comunicação. Já o relacionamento, fortalecido pelo cuidado contínuo com a base já conquistada, é o que faz o cliente permanecer fiel por muitos anos.

“A confiança sem satisfação não segura ninguém”, afirmou Ferreira, ao destacar que investir na manutenção de um cliente já existente custa menos do que conquistar um novo, o que, segundo ele, reforça a importância de priorizar o relacionamento na estratégia dos escritórios contábeis.

Para o palestrante, o contador ocupa uma posição de destaque na vida do empreendedor. “O contador é o conselheiro mais confiável do pequeno e médio empresário”, declarou, reforçando que essa proximidade é um ativo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir.

Dados reforçam limites da IA

Durante a apresentação, Ferreira citou um levantamento do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), segundo o qual entre 30 e 40 bilhões de dólares foram investidos em inteligência artificial generativa em um único ano, mas apenas 5% das empresas conseguiram comprovar retorno financeiro real com o uso da tecnologia.

O dado, segundo o palestrante, reforça sua tese central: a inteligência artificial pode otimizar processos e tarefas operacionais, mas marca, confiança e relacionamento continuam sendo construções exclusivamente humanas. “O quão importante é usar o relacionamento, a marca e a confiança para reter o cliente na nossa base. E isso a IA não faz”, concluiu Ferreira.

Continue acompanhando o III Congresso Fenacon e mais notícias sobre o setor de serviços através das nossas redes sociais. 

Acesse as fotos aqui 

Leia também: Reynaldo Lima Jr. abre III Congresso Fenacon e anuncia novo programa internacional; CFC comanda primeira palestra do evento

Leia também: Contadores têm papel de liderança na transição da reforma tributária, aponta especialista no III Congresso FENACON

Leia também: Elinton Marçal aborda segurança de dados na contabilidade no III Congresso Fenacon

Sair da versão mobile