
Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, a sondagem indica que ainda não há intenção significativa de investimento por parte dos empresários de micro e pequenos negócios, mas que a retomada lenta e gradual da economia já tem refletido em uma melhora desses números. “A partir do momento em que observarmos maiores quedas reais dos juros e um ambiente econômico mais estável, haverá certamente um estímulo maior para investimentos nas empresas. Infelizmente, o ritmo de melhora da confiança ainda é lento, mas esse é mais um dos sinais que mostram que os setores do comércio e serviços vislumbram um ano com vendas melhores e movimento mais aquecido”, afirma o presidente.
Em ternos percentuais, pouco mais de um terço (35%) dos micro e pequenos empresários manifestaram a intenção de promover investimentos em suas empresas no horizonte de 90 dias. Em dezembro do ano passado, esse percentual era menor e estava em apenas 29% da amostra. Já a quantidade de empresários que não pretende investir diminiu em três pontos percentuais, passando de 53%, em dezembro do ano passado, para 50% em janeiro de 2018.
Juros altos fazem empresários investir com capital próprio; compra de equipamentos, reforma e ampliação de estoque lideram ranking de investimentos
Entre os pequenos empresários que pretendem investir nos próximos três meses, os investimentos prioritários serão compra de equipamentos e maquinário (27%), reforma da empresa (24%), ampliação de estoque (20%), qualificação da mão de obra (12%) e investimentos em comunicação e propaganda (11%). Para mais da metade (55%) dos que vão investir, a maior motivação é aumentar o volume de vendas.
A principal fonte de recursos para o investimento é o capital próprio, seja por meio de recursos guardados em forma de aplicação (48%) ou venda de algum bem (12%). Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a opção pelo capital próprio deve-se ao fato de os juros bancários serem muito altos e do conhecimento escasso acerca das modalidades de crédito disponíveis. “Apesar da Selic, que é o juro básico da economia, estar em um piso histórico, os juros continuam altos para consumidores e empresários, não vem acompanhando mesmo ritmo de recuo. Por isso que muitos pequenos empresários ainda não se sentem confortáveis para recorrer ao mercado de crédito para na realização de investimentos e acabam tendo de apelar a recursos que eles próprios já possuem guardados”, explica a economista.
De acordo com a sondagem, ao serem questionados sobre o motivo de utilizar capital próprio para investir no negócio, a maioria desses empresários apontou que os juros bancarios são muito altos (59%). Outros 12% apontaram o medo de não conseguir pagar o crédito tomado.
O indicador ainda mostra que entre os micro e pequenos empresários que não manifestaram a intenção de investir, 34% não veem necessidade em fazer melhorias em seus negócios. O mesmo percentual cita a percepção de que o país não saiu da crise. Além desses, 18% estão aguardando os resultados de algum investimento realizado recentemente.
Indicador de Demanda por Crédito cresce de 12,9 pontos para 21,6 pontos em um ano; empréstimos e financiamentos devem ser as modalidades mais procuradas
Outro dado apurado pelo SPC Brasil é a intenção de tomada de crédito. Nesse caso, os números também mostram uma melhora. No último mês de janeiro, o Indicador de Demanda por Crédito da Micro e Pequena Empresa cresceu 8,7 pontos em 12 meses, passando dos 12,9 pontos na escala observados em janeiro do ano passado para 21,6 pontos em janeiro de 2018. Em dezembro último, o índice estava em 17,9 pontos. Mesmo com o crescimento, o resultado também é tímido, uma vez que a escala do indicador varia de zero a 100, sendo que quanto mais elevado, mais propenso o empresário está a tomar recursos emprestados de terceiros.
Em termos percentuais, apenas 14% dos micro e pequenos empresários dos ramos do comércio e serviços manifestaram a intenção tomar recursos emprestados de terceiros nos próximos três meses. Embora tímido, esse número já foi menor. Em novembro de 2017, eram apenas 7% da amostra e, em dezembro do ano passado, somente 11%. Os que não pretendem tomar crédito somam 76% dos pequenos empresários consultados. Entre os que manifestam a intenção de contratar crédito, as principais finalidades são formar capital de giro (48%), ampliação do negócio (18%) e pagamento de dívidas (17%).
A modalidade de crédito mais procurada pelos micro e pequenos empresários deve ser o empréstimo, mencionado por três em cada dez (31%) entrevistados. Em seguida surgem os financiamentos (29%) e o cartão de crédito empresarial (15%).
A maior parte dos micro e pequenos empresários (33%) diz considerar a contratação de crédito algo difícil. Mas há também fatia semelhante que considera fácil (30%). Excesso de burocracia (55%) e juros altos (50%) são os principais motivos entre os que veem dificuldades para tomar recursos financeiros emprestados. A contratação de empréstimo em instituições financeiras é o tipo de crédito mais difícil de ser contratado (27%) na opinião dos entrevistados, seguido dos financiamentos em instituições financeiras (23%) e do crédito junto a fornecedores (14%). Para quem acha a contratação algo descomplicado, o bom relacionamento com o banco é a razão mais lembrada (47%). Entre os que rejeitam contratar crédito, a principal razão apontada é o fato de conseguir manter o negócio com recursos próprios (56%) e as altas taxas de juros (33%).
Metodologia
Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário (IDCI-MPE) calculados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. As micro e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresas brasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente. Acesse a íntegra do indicador e detalhes da metodologia clicando em https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos
Fonte: SPC Brasil