
Durante meses, a principal pergunta sobre a Reforma Tributária foi:
“Qual será a alíquota?”
É uma pergunta importante.
Mas ela deixou de ser a mais relevante.
Com o início dos testes do Split Payment e dos novos documentos fiscais, uma pergunta muito mais estratégica passa a ocupar o centro das decisões empresariais:
Sua empresa sabe quanto precisará cobrar para continuar tendo lucro?
Essa é a discussão que deveria estar acontecendo nas reuniões de diretoria.
Porque a Reforma Tributária não muda apenas a forma de pagar impostos. Ela muda a forma como o dinheiro circula dentro da empresa.
O preço que funciona hoje pode não funcionar amanhã
Durante anos, muitas empresas construíram seus preços considerando a lógica atual de recolhimento de tributos.
Agora, essa lógica começa a mudar.
O Split Payment, por exemplo, altera o fluxo financeiro das operações ao separar automaticamente a parcela correspondente aos tributos.
Na prática, isso significa que parte do valor recebido pela venda não passará mais pelo caixa da empresa da mesma forma que acontece hoje.
Isso muda indicadores financeiros, necessidade de capital de giro, planejamento de caixa e até estratégias comerciais.
Quem continuar precificando como sempre fez poderá descobrir tarde demais que sua margem desapareceu.
O maior risco não está na alíquota
Muitos empresários ainda acompanham notícias tentando descobrir qual será o percentual definitivo do IBS e da CBS.
Enquanto isso, deixam de responder perguntas muito mais importantes.
Sua margem continua saudável?
Seu ERP está preparado?
Os contratos precisam ser revisados?
Seu fluxo de caixa suporta o novo modelo?
Os clientes aceitarão uma eventual recomposição de preços?
Essas respostas valem muito mais do que decorar percentuais.
A fase de testes existe por um motivo
Os testes não começaram apenas para que empresas de tecnologia validem sistemas.
Eles existem para que as organizações possam simular cenários antes da obrigatoriedade.
É o momento ideal para:
- revisar a formação de preços;
- testar processos fiscais;
- validar cadastros;
- conferir integrações entre sistemas;
- identificar impactos financeiros;
- preparar as equipes.
Quem fizer isso agora poderá corrigir desvios sem colocar a operação em risco.
Quem esperar a obrigatoriedade fará esses mesmos ajustes sob pressão.
A Reforma não pertence ao departamento fiscal
Esse talvez seja o maior equívoco que continuo vendo nas empresas.
A Reforma Tributária não é um projeto da contabilidade.
Ela envolve diretamente:
- financeiro;
- comercial;
- tecnologia;
- compras;
- operações;
- diretoria.
Quando o preço muda, o comercial muda.
Quando o fluxo de caixa muda, o financeiro muda.
Quando a emissão da nota muda, a tecnologia muda.
Quando tudo isso muda ao mesmo tempo, quem precisa liderar é a alta administração.
A vantagem competitiva começa agora
Toda grande transformação cria dois grupos de empresas.
As que usam o período de adaptação para aprender.
E as que usam esse mesmo período apenas para esperar.
A diferença entre elas costuma aparecer quando a mudança entra definitivamente em vigor.
A primeira ajusta processos, preserva margens e ganha competitividade.
A segunda corre para corrigir problemas enquanto perde tempo, dinheiro e mercado.
A pergunta mais importante da Reforma Tributária já não é qual será a alíquota.
É outra.
Sua empresa já descobriu quanto precisará cobrar para continuar sendo lucrativa no novo sistema?
Quem responder essa pergunta antes dos concorrentes terá muito mais do que conformidade tributária.
Terá vantagem competitiva.
Artigo escrito por Jorge Segeti – CEO da Segeti Consultoria Contábil e Compliance | Vice-Presidente Institucional do SESCON-SP
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