Camis Contabilidade

“Reforma Tributária e Contabilidade: O que ainda não está escrito nas normas pode impactar sua empresa”, por Reynaldo Lima Jr.

Uma pergunta tem aparecido com frequência cada vez maior nas conversas sobre a Reforma Tributária:

Já existem regras contábeis definidas para aplicar o novo sistema tributário?

A resposta, pelo menos neste momento de 2026, é mais simples do que muitos imaginam: ainda não.

Recentemente tivemos a oportunidade de discutir esse tema com o professor Eliseu Martins, uma das maiores referências da contabilidade brasileira, e a conversa trouxe reflexões importantes para empresários, gestores e profissionais da área contábil.

O que percebemos é que existe uma expectativa natural de que a reforma tributária venha acompanhada de um conjunto completo de normas contábeis. Mas a realidade ainda não é essa.

A reforma avançou mais rápido que as orientações contábeis.

A legislação tributária vem sendo construída e regulamentada gradativamente.

Por outro lado, os órgãos responsáveis pelas normas contábeis ainda não emitiram um conjunto específico de regras para tratar dos efeitos da reforma.

Temos observado que tanto o ambiente contábil quanto o próprio mercado ainda estão analisando diversos pontos que dependem da evolução da regulamentação.

Na prática, isso significa que muitas decisões estão sendo tomadas com base nos princípios contábeis já existentes e na interpretação técnica dos profissionais envolvidos.

Não há, neste momento, uma mudança de conceito contábil.

E esse é um ponto importante.

O resultado da empresa continua sendo o mesmo.

Uma percepção equivocada que encontramos com frequência é a ideia de que a reforma tributária irá alterar a essência da contabilidade.

Não é isso que está acontecendo.

A demonstração do resultado continua tendo o mesmo objetivo.

O balanço continua tendo o mesmo objetivo.

Os usuários das demonstrações financeiras continuam sendo os mesmos.

O que muda é a forma como determinadas operações precisarão ser controladas e evidenciadas.

Em outras palavras: a contabilidade não muda sua finalidade, mas alguns processos internos certamente precisarão mudar.

A contabilidade existe para o gestor — e não apenas para o fisco.

Talvez uma das reflexões mais relevantes dessa discussão seja justamente essa.

Durante muitos anos, especialmente em empresas menores e médias, a contabilidade acabou sendo vista apenas como uma obrigação fiscal.

Mas a sua função sempre foi muito maior.

Quem toma decisão precisa de informação.

Quem investe precisa de informação.

Quem administra caixa, margem e rentabilidade precisa de informação.

Temos reforçado isso constantemente aos nossos clientes.

A reforma tributária cria novos desafios operacionais, mas também abre espaço para que a contabilidade volte a ocupar um papel mais estratégico dentro das organizações.

O Split Payment merece atenção desde agora.

Entre os diversos temas debatidos atualmente, poucos chamam tanta atenção quanto o chamado split payment.

Embora sua implementação completa ainda dependa do cronograma da reforma, os impactos operacionais já começam a ser estudados pelas empresas.

O impacto não está apenas no imposto. Está também no caixa, nos controles e na gestão financeira.

Novos controles contábeis serão necessários.

As empresas precisarão de controles mais robustos, mais rastreabilidade e maior integração entre as áreas fiscal, financeira e contábil.

A orientação atual é começar essa preparação antes que a obrigatoriedade esteja totalmente implementada.

Por Reynaldo Lima Jr.

Presidente Eleito da FENACON

Gestão 2026-2030

Sair da versão mobile