“Segurança no Banco de Dados nas Empresas Contábeis” foi tema da palestra de Elinton Marçal, diretor fundador da SCI Sistemas, no III Congresso Fenacon, realizado nesta quinta-feira (6), em São Paulo. Marçal alertou para os riscos de tratar o acesso a dados contábeis como algo trivial, especialmente diante da expansão do uso de Business Intelligence (BI) e de Inteligência Artificial no dia a dia dos escritórios.
O risco de banalizar o acesso aos dados
Segundo o palestrante, o banco de dados de um escritório contábil não pode ser encarado como uma base operacional qualquer, pois configura um patrimônio informacional. Isso significa dizer que informações fiscais, tributárias, trabalhistas, societárias e financeiras de centenas ou até milhares de empresas e pessoas estão ali, e foi construído ao longo de anos de relacionamento com clientes.
Para Marçal, esse volume de informações sensíveis exige que o acesso a essas bases seja tratado com critério técnico, e não como um simples processo de “abrir a base” para viabilizar integrações, dashboards ou automações.
Ele descreveu esse tipo de exposição como um risco estrutural, ou seja, se um banco contábil é acessado indevidamente, o que está exposto não é simplesmente um conjunto isolado de tabelas, mas toda a carteira de clientes de um escritório, com possíveis danos de reputação e de conformidade.
Pilares de proteção e API como caminho mais seguro de integração
Em sua fala, Marçal detalhou os princípios que orientam a proteção de dados nos sistemas da SCI: bancos fechados, sem exposição indiscriminada; bancos personalizados, vinculados à realidade de cada cliente e não replicáveis livremente em outros ambientes; e bancos criptografados, como camada adicional contra vazamento e uso indevido da informação. Segundo ele, essa proteção não nasce de discurso, mas de responsabilidade.
Nesse contexto, o especialista defendeu que integrações com sistemas de BI, automação ou Inteligência Artificial sejam feitas preferencialmente por API*, e não por acesso direto ao banco de dados, porque a API cria uma camada intermediária controlada, autenticada e rastreável entre sistemas. Portanto, essa camada reduz o risco de interpretação incorreta dos dados e amplia a governança sobre o que é acessado, por quem e com qual finalidade.
*API: conjunto de regras e protocolos que permite a comunicação e a troca de dados entre diferentes sistemas de software de forma automática, segura e padronizada
*API: conjunto de regras e protocolos que permite a comunicação e a troca de dados entre diferentes sistemas de software de forma automática, segura e padronizada
Segurança e inovação não são opostas
Ao encerrar sua apresentação, Marçal reforçou que o mercado contábil não precisa escolher entre segurança e inovação tecnológica. O maior desafio do setor é conciliar as duas frentes: nem manter os escritórios reféns de estruturas fechadas que impeçam o uso estratégico da informação, nem abrir mão de proteção básica em nome da agilidade.
Na avaliação do palestrante, o futuro do ecossistema contábil passa por ganhar capacidade analítica e produtividade sem abrir mão do que considera inegociável: segurança, consistência e governança dos dados dos clientes.







